Dizem que um profeta não é respeitado em sua própria casa, mas o Pastor Ock Soo Park é uma exceção. O fundador da Good News Broadcasting Station (GBS) é reverenciado globalmente – da Coréia, sua terra natal, ao Quênia, a maior base de sua missão na África.

Numa visita rápida às instalações da estação na área do Garden Estate, em Nairobi, a agenda do Pastor Park estava tão ocupada que, este escritor, teve que conduzir toda a entrevista nos fundos de uma minivan da GBS no caminho de Thika Road para a cidade, na luz do crepúsculo.

Pela primeira vez, o tráfego carregado da Thika Road foi uma bênção disfarçada.

“Nasci em 1944”, me contou o Pastor Park, de maneira elegante, seu discurso rápido e com voz firme, com a certeza de alguém que está acostumado a contar uma história única de sua vida muitas e muitas vezes.

“Não foi um momento afortunado para se nascer na Coreia, porque os exércitos do central do império japonês haviam invadido o país, e houve muito sofrimento em massa e fome”, diz ele.

É claro que os americanos acabaram com a Segunda Guerra Mundial contra os japoneses bombardeando Nagasaki e Hiroshima em agosto de 1945, mas se a Coréia achava que seus problemas políticos haviam acabado, estava profundamente enganado.

“Não consigo me lembrar de um único momento feliz na minha infância”, diz Park, com uma expressão distante em seus olhos. “Nem um só! Meu irmão foi morto na guerra. Estávamos sempre morrendo de fome. Então, quando eu tinha oito anos, uma grande tragédia aconteceu novamente.”

A vida do Pastor Park, certamente, não foi um passeio no parque.

 

Guerra civil

Em 1953, a Coréia mergulhou na guerra civil enquanto o norte comunista e o sul capitalista lutavam pela supremacia política. A morte e a fome perseguiram a terra, incluindo a sua família com duas irmãs (de 15 e 13 anos), o jovem Park de oito anos e seu irmão de quatro anos. Sua mãe teve câncer de estômago e faleceu.

“Agora éramos órfãos famintos em uma nação devastada pela guerra”, lembra ele.

“Estávamos sem esperança, sem saber o que aconteceria a seguir em nossa vida, implorando por comida. Lembro-me de minhas irmãs adolescentes e até mesmo eu  chorando quase todas as noites e nosso irmão mais novo não sabendo o que estava acontecendo, mas se juntando a elas.”

Quando ele tinha apenas 17 anos, Park se juntou ao exército da Coréia do Sul como voluntário.

“Eu não era muito inteligente, nem bem instruído, não me sobressaia em nada, a vida não tinha sido gentil comigo. Sem esperança, sem emprego, então por que não?”

Ele diz que realmente se sentiu como um pecador que merecia todo o lixo que a vida lhe lançara, que ele não era uma boa pessoa.

Segundo capítulo da sua vida

Mas tudo isso mudou em 7 de outubro de 1962, quando ele tinha 18 anos.

“Naquele dia, pedi a Jesus para entrar em minha vida e me mudar. Eu vivi dois tipos de vida. A que eu tive desde que nasci até aquele mês de outubro, que não pode ser chamado de vida. E a vida que eu tive desde então até hoje “.

Com a base evangélica que ele teve em várias escolas missionárias, Park começou a pregar e apresentar Jesus nas vidas de seus colegas, os recrutas coreanos.

Pela primeira vez, mas não pela última vez, durante a nossa simpática entrevista na van, o pastor sorriu e disse: “Quando eu pedi a permissão ao nosso oficial do comando para pregar aos novos recrutas, ele ficou satisfeito. Mesmo porque, ele mesmo não era um cristão firme em sua fé, e também ele imaginou que com o evangelho, ele teria soldados recrutas melhores e mais obedientes, ou seja, menos problemas por toda parte”, diz ele.

Park serviu no exército por três anos e “pela graça de Deus” ganhou convertidos entre os jovens recrutas.

 

Conhecendo a delegação queniana

Pulando para 1993. Houve uma exposição na Coréia e o Quênia enviou uma delegação de 20 funcionários. Coincidentemente, junto com a sua esposa e uma curiosidade infantil, Park passou pela arquibancada queniana e imediatamente sentiu uma intuição divina de que Deus iria trabalhar para ele neste país, do qual ele pouco conhecia, exceto “que tinha animais e grandes safaris para brincar”.

Com o consentimento de sua esposa, ele convidou os quenianos para uma refeição em sua casa.

“Nos demos tão bem que acabei hospedando-os e levando-os para conhecer a Coréia por mais dois dias além da programação oficial”, diz ele.

O então Ministro do Comércio do Quênia ficou tão impressionado com o pastor que o convidou para visitar o Quênia. Nunca iria perder a oportunidade de espalhar a boa notícia, Park planejou sua viagem numa época em que haveria uma grande cruzada de oração no Estádio Nyayo, em 1994. E ele teve a chance de fazer a abertura do evento.

“Naquele dia, eu soube que Deus queria que eu começasse uma missão aqui, e em 1º de março de 1996, tivemos nossos primeiros missionários da Boa Noticia da Coreia colocando seus pés no Quênia”, diz ele.

O pastor sênior do Quênia agora é Kim Jeong Hong, um homem jovem, alto e bonito de fala mansa. E o gerente geral da GBS é Hae Jong, um sujeito durão que parece ser o operador corporativo mais legal.

Treze anos depois, a missão do pastor não só tem 400 estudantes da Faculdade Bíblica, mas também tem um estúdio de mídia digitalizado de alta tecnologia – o Boa Noticia Sistema de radiodifusão.

“Cinquenta e cinco por cento da programação do GBS é cristã”, afirma Hong e Jong.

“Os outros 45% estão igualmente divididos entre programas informativos, teatro, entretenimento, notícias e educação”.

 

Transmissões bem-sucedidas

Observando a programação de domingo do GBS, você encontra diversos conteúdos que envolvem panorama de notícias, programas como O Farol e o Saindo da Desesperança, bem como animação infantil e um programa de “Palco da Arte”.

Pastor Park diz do sucesso: “Receba a palavra de Deus, e não o seu julgamento. Não confie em sua experiência, mas na sabedoria do Senhor. Não seja egocêntrico, mas seja espiritual. Saber que nenhum problema na sua vida é grande demais para Jesus. E perceber que, quando alguém lê a Bíblia corretamente, todos os nossos pecados são lavados”.

Na década de 1960, depois do exército, Park era um missionário ambulante, espalhando o evangelho com uma barriga relativamente vazia, confiando na bondade dos irmãos, “assim Deus sempre proveu”.

Mateus 6:25-26 são alguns de seus versos bíblicos favoritos: Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, ou pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?

Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas?

 

Sete anos de trabalho duro

Ao atravessar a Coréia do Sul com o evangelho em sua boca e a canção do Senhor em seu coração, em 1969, a graça finalmente inundou seu rosto.

“Um americano se juntou a mim em minhas viagens missionárias por exatamente um ano. Ele retornou aos EUA e dez dias depois, sua igreja, da qual eu não sabia nada, me mandou $350, que em 1969 era muito dinheiro. Depois de sete anos de trabalho duro para o Senhor, a taça que eu segurava finalmente tinha um pouco de vinho”.

Quarenta anos depois, e trabalhando com organizações cristãs do Quênia até Gana e nos EUA, ninguém pode alegar que a taça do homem de Deus da Coréia não transborde.